Depoimento de um Maratonista

Olá pessoal! No clube de corrida que eu participo várias pessoas já participaram de maratonas e meia maratonas. E isso é muito legal, pois após cada maratona sempre ouvimos relatos emocionantes sobre como foi a prova. E pensando nisso, partir de hoje, o blog vai dedicar a tag Depoimento de um Maratonista para que todos que acompanham esse espaço possam sentir a mesma emoção que eu sinto quando leio ou escuto um relato de uma pessoa que acabou de completar uma grande prova.

O post de hoje é do meu colega de clube de corrida Sylvio Petrus. Ele correu a Maratona de Chicago em 9 de outubro de 2011. Segue o depoimento.

"Acabo de concluir minha quinta maratona, Chicago, uma das Big Five (as outras são Nova York, Boston, Berlin e Londres). Estou sozinho com meus pensamentos e sensações. Em meio a uma multidão de 42 mil participantes, começo a fazer um retrospecto da minha vida de corredor, vida que se mistura com os objetivos, desejos, conquistas e também algumas, ainda bem, poucas tristezas da minha vida como um todo.

Sem querer ser um atleta, há mais de sete anos comecei a correr. Desde então, a cada quilômetro vencido outros quilômetros eu queria correr e tantos outros quero superar. Tenho um mundão para correr e descobrir.

Cada prova com suas largadas e chegadas revela mais de mim, o quanto posso me surpreender e quantos amigos conquisto a cada quilômetro. Pertencer a uma equipe (o nosso grande time Evolua) gera uma satisfação sem igual - e só quem corre sabe do que estou dizendo.

Antes da largada da Maratona, ainda que meus amigos me considerarem um corredor experiente por ter participado de mais de cem provas entre 10 e 42 quilômetros, não pude conter a emoção de sentir-me como se fosse a minha primeira prova. Agradeço aos céus pela graça de sentir este momento, de pertencer a este mundo de pessoas de alto astral e alegres, no qual todos buscam a superação de novos objetivos. Enfim, gente que procura uma grande qualidade de vida.

Despeço dos meus amigos companheiros de prova com um grande abraço em cada um ( Eurípedes, Nélio, Sávio, Brasil, Janio, Eliane e Nádia). E confesso que, na hora da largada, não consegui disfarçar a emoção. Muito menos as lágrimas, que brotaram sem que eu percebesse ou pudesse controlar.

A largada para mim não é o momento do início da prova, mas sim uma etapa do processo que começou vários meses antes com a escolha de qual maratona fazer. Depois disso, vem o trabalho dos planos de viagem, da planilha de treinamentos (valeu sua força, grande treinador Eder), os intermináveis longões, muitos tiros de velocidade, musculação – e o medo permanente de ser vencido por uma lesão. Penso em quantas festas deixei de lado para treinar cedinho do dia seguinte e até mesmo a escolha do tênis e da camiseta. Tudo faz parte de uma preparação que se torna mais nervosa à medida que se aproxima o grande dia. Quando esse dia chega, sinto-me como uma criança eufórica, ansiosa para conhecer algo novo. Cada maratona é única.

Depois da largada – seja ela em Chicago, Berlim, Amsterdam ou Porto Alegre - é você com você mesmo. Não adianta inventar, mas simplesmente fazer aquilo que você treinou, ter uma atitude mental altamente positiva e confiar que irá chegar ao final da prova.

Tenho que admitir que os norte-americanos são os maiorais na organização de uma maratona. Tudo funciona – da largada sem tumulto, ao abastecimento de água, isotônicos e gel, entre outras coisas que ajudam na eficiência do atleta. Além disso, o trajeto é plano, possibilitando uma corrida mais fácil, enquanto lindas paisagens com prédios imensos, lagos e parques vão se renovando.

Mas o que estou gostando mesmo é de ver as pessoas dando-nos apoio e incentivo durante todo o percurso. Foi num momento como esse que pensei, muito feliz: como é bom correr com a camisa escrito Brasil e a todo instante ouvir o nome do nosso país. Mas, mesmo com a paisagem e com o estímulo dos espectadores, a corrida é difícil. O clima surpreendeu a organização: o calor está bem acima do previsto, o que dificultou a melhoria de recordes pessoais. Nessas situações, quando a linha de chegada se aproxima, a técnica fica em segundo plano – o que prevalece é o coração, a emoção, a garra. No meu caso, também é o momento de entoar interiormente o meu mantra. "A dor é passageira, a chegada vai ficar para sempre na minha história". Repeti essas palavras um sem número de vezes até que, finalmente, cruzei a linha de chegada.

A chegada é a conquista, o êxtase, o desafio cumprido. As palavras às vezes me faltam para descrever o turbilhão de emoções e sensações deste momento. Sinto cada uma das dores que se espalham por meu corpo encharcado de suor e exaurido, mas sinto-me principalmente muito feliz de ter concluído a prova... simplesmente chegado.

Neste momento de solidão, em meio a multidão de corredores, as lágrimas já vieram e as orações realizadas. Mas um pensamento também é permanente: o homem não foi feito para correr 42 quilômetros. Pouco importa. Daqui a pouco, vou estar planejando a próxima maratona, os próximos 42 quilômetros."

Sylvio Pétrus Junior
51 anos
Brasília/DF

Comentários

  1. Nossa, que post longo, mas muito legal e emocionante!
    Beijos, Ana Paula

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  2. Muito legal, dá até vontade de fazer uma corrida dessas, parabéns pelo blog, Dani e parabéns ao seu colega pela conquista!
    Beijos,
    Giulia.

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  3. Ah, Dani, tô vendo que você colocou uns negócinhos novos no blog. Tem que ter Facebook para curtir?
    Eu de novo, Giulia!

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  4. Muito legal este Post. Mesmo para pessoas como eu, que nunca tiveram a intenção de fazer uma maratona. Não há não respeitar e valorizar aqueles que conseguem.
    Parabéns Sylvio pela prova e parabéns Dani, pelo Blog. Tá cada vez melhor!!!

    Almir Menezes

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  5. Poxa, emocionante mesmo, só não sei se tenho gás pra correr 42km, mas meia maratona, quem sabe um dia!

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  6. DEMAIS O DEPOIMENTO DO NOSSO COLEGA DE CORRIDA SYLVIO E PARABÉNS PELO BLOG, SOU SUA FÃ.

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