Superações de um Maratonista

Este post de hoje foi escrito pelo meu colega de corrida e maratonista Sylvio Petrus, que já teve outro post publicado aqui no blog, e novamente vou publicar um relato dele, dessa vez sobre suas superações ao longo deste ano que termina.

Boa leitura a todos!


Em 2011, consegui um grande feito na minha jornada de corredor, ao participar e concluir duas maratonas do circuito oficial: Porto Alegre em maio, e Chicago em outubro, além de participações em seis meias maratonas, inclusive batendo meu recorde pessoal nas provas de meias, recorde que durava desde 2006.

Para mim, foram momentos muito gratificantes e carregados de muitas emoções e superações. Chegar até aqui não foi tarefa fácil. Passei por sérias lesões no meu corpo de tanto que o desafiei, e também em minha vida pessoal. Para entender melhor o que estou tentando transformar em palavras, é preciso voltar alguns anos. Lembro quando, em 2007, não pude correr a prova de Amsterdam, por estar abalado com o fim de um casamento e um estiramento na coxa direita. Também não fui a Porto Alegre, em maio/2008, por uma contusão na panturrilha – a menos de duas semanas da prova e, em seguida, um rompimento de menisco destruiu meu projeto de correr em Berlin, um mês antes da prova.

Mesmo assim, fui para Berlin, assisti à Maratona e torci pelos amigos, mas, por dentro, senti uma tristeza profunda. Pela terceira vez consecutiva, não pude correr uma prova por problemas causados por contusões. Pensei até que nunca mais sentiria a emoção de terminar uma Maratona, como a minha primeira e única, até aquela data, a de Nova York em 2006.

Essa dúvida perdurou até o momento em que fui para a mesa de cirurgia. Naquele momento, eu sentia medo e apreensão, mas hoje interpreto o que aconteceu como um fato pitoresco.

Quando começaram os procedimentos para a cirurgia, conduzida por Sávio, que além de médico ortopedista e meu amigo, também é corredor. Antes de a anestesia me apagar de vez, ele comentou que havia corrido em Berlin, mas não correra bem e que pretendia voltar no próximo ano (2009). Nesse momento, perguntei “como está meu joelho?”, e ele respondeu: “daqui a um ano poderemos voltar a Berlin”. É tudo que lembro, até apagar com o efeito da anestesia, embalado pelo sonho de correr Berlin, Amsterdam e Porto Alegre.

Feita a cirurgia, continuei atrás do sonho com empenho nas muitas sessões de fisioterapia, trabalho em piscina, musculação, e, alguns meses depois, recomeço os treinamentos (juro que pensei que seria mais fácil), primeiro correndo poucos quilômetros por dia, depois participando de provas de 10 km que ajudam a elevar a moral. Mas o foco estava fechado para setembro de 2009 na Maratona de Berlin.
Com meu condicionamento voltando, passei por melhoria sensível nos tempos de corrida, senti a alegria de voltar à forma, começar os planos de viagem, fazer a inscrição na prova e me juntar aos companheiros que iriam correr.

Tudo parecia ir muito bem, mas, em meados de julho, dois meses antes da prova, sinto uma dor no joelho que me preocupa, vou ao médico, faço uma ressonância e, quando recebo o resultado, quase tenho um troço, o diagnóstico detecta condromalácia profunda - ou seja, um desgaste grande da cartilagem do joelho.

O mundo desabou. Após tanto esforço, parecia que minha vida de corredor tinha terminado. Nesta hora, tive a dimensão do papel da corrida em minha vida, e que meu envolvimento estava na assinatura de revistas sobre o tema, nas visitas costumeiras a sites sobre corridas, à rica convivência com grandes amigos corredores, viagens, treinos no mínimo cinco vezes na semana... Cheguei a me perguntar: como vou ficar sem todo este mundo que envolve a corrida?

Foi Sávio que me deu a resposta. Como corredor, ele sabe da importância da corrida e do meu objetivo de voltar a correr uma Maratona (com tempo abaixo de 4 horas), ele afirmou, tranqüilo, que eu não iria parar de correr, e, de novo, reforçou as mesmas palavras de ânimo da mesa de operação. Vamos correr juntos em Berlin, ele me repete, mas desde que você modifique os treinamentos, comece a tomar alguns medicamentos para reconstituição da cartilagem, e passar algum tempo sem correr para descansar a musculatura depois da prova.

Recebi aquilo como uma das melhores notícias da minha vida. Refiz os planos. Meu sonho estava vivo, com dificuldades, mas vivo – e eu continuaria minha vida de corredor.

Retornei a Berlin em 2009 e confesso que, antes da prova, estava muito nervoso. Eu tinha um desafio enorme pela frente, sabia que caso não terminasse a prova a minha frustração seria sem fim e me perguntava, inseguro: e as dores no joelho? E o meu preparo?

Tive vontade de largar tudo, mas não me perdoaria pela covardia de, pelo menos, não tentar. Resumindo, consegui com muito esforço terminar a prova como planejado, abaixo de 4 horas, e, de novo, não consigo transformar em palavras as emoções que senti após ganhar a medalha, chorar muito e agradecer aos céus. Depois, deitei em um  gramado, e simplesmente comecei a rir feito maluco, com as pessoas em volta também rindo, sem entender o que se passava. Mas, como corredores, eles imaginavam a emoção que eu estava sentindo.

Nunca tive uma reação como aquela. Só posso deduzir que tive um orgasmo cósmico, como definiu uma colega.

Então, quando terminei minha 4ª Maratona a de Porto Alegre, em maio/2011, morto de cansado, mas muito vivo de alegria, me vi, naquele momento, fechando o ciclo das provas que não havia conseguido correr.  Confesso que foi difícil chegar até aqui, mas não perdi a esperança de ultrapassar os obstáculos Confiei em mim e no meu anjo da guarda que, em nenhum momento deixou de me amparar.

De uma coisa tenho certeza, não importa tão no fundo do poço voce se sinta, o fundamental é ter determinação, traçar objetivos e ter a capacidade de se reinventar e se reconstruir quando necessário, mas principalmente acreditar em você.

Sylvio Pétrus Júnior
Dezembro/2011
Brasília/DF

Comentários

  1. Emocionante mesmo, Dani. Parabéns ao seu colega por tantos desafios conquistados e tantas superações.
    Beijos,
    Ana Paula.

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  2. É verdade o que ele disse, não se deve nunca perder a esperança de ultrapassar os obstáculos.
    Beijos,
    Giulia.

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  3. Dani,
    você tá de férias? E o blog também?
    Quando voltam os posts?
    Tô querendo começar a correr, por isso estou ansiosa pelos novos posts esse ano.
    Beijos,
    Camila.

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